quinta-feira, 24 de junho de 2010

PROTOCOLO DA AULA DO DIA 24 DE JUNHO DE 2010 - Jó Bichara

PROTOCOLO DA AULA DO DIA 24 DE JUNHO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Coordenadores / Professores: Rejane e Cadú

Escrito por: Jó Bichara


“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”
(Friedrich Nietzsche). E seguindo as palavras de Nietzsche podemos comprovar que o AMOR é fundamental para o sucesso. Na aula de hoje fomos coordenados pelo Cadú (O Ator Musical: a musicalidade como eixo central na composição cênica) e pela Rejane (O jogo dos Anteparos: uma intersecção metodológica). Nossa aula de hoje foi a última do semestre, pois agora teremos umas “férias” para podermos gozar e ou trabalhar ainda mais. Mas aproveitando a “deixa”, discutimos a possibilidade de nos reunirmos pelo menos numa aula durante esse período de “férias” para trabalharmos tudo o que já criamos e com isso não deixar-mos que abrande todo esse nosso processo. Estamos no aguardo do pronunciamento de alguns dos Coordenadores-Professores. Tomara que consigamos nos encontrar nessas férias, seria de grande valia.
Bom, começamos então nossa aula de hoje, Cadú, nos sugeriu um “aquecimento” trabalhando o corpo e o equilíbrio como ferramenta, movimentos amplos, exagerados e tensos, ao decorrer acrescentamos sons aos movimentos e todos foram se deslocando pela sala, tudo me remeteu a Biomecânica de Meyerhold onde observei ali que cada um deve possuir a posição convincente de um homem em equilíbrio, cada um deve ter uma reserva de atitudes, de poses e de diferentes recursos que permitam-lhe manter o equilíbrio. Cada um deve buscar por si mesmo o equilíbrio necessário ao momento dado. Aliado a tudo isso, Rejane desde o início deixou o projetor ligado e com isso imagens eram projetadas na parede para ampliar nossa criação e trabalho, o estímulo sonoro vinha das caixas acústicas.
Passado certo período trabalhando com o corpo e o equilíbrio, Rejane então tomou a vez e nos coordenou a separarmos cinco “posições” ou “momentos” dentro desse processo e deixarmos essas cinco posições ou cinco movimentos ou cinco momentos, o que cada um achar melhor, continuados, ou seja, num processo contínuo. Com isso, individualmente, fomos para o centro e “mostramos” esses cinco movimentos, uns deixaram bem detalhados e separados, outros trabalharam com o improviso. E junto aos movimentos que cada um executava individualmente, os demais como que ordenando, solicitavam um estado de emoção e um estado físico, como: (Físico – Grande, Pequeno, Áspero, Liso, Bolo de Chocolate, Torta de Morango, Chiclete, etc: / Emocional – Triste, Alegre, Raiva, Fúria, Tesão, etc:), essa foi a primeira etapa da aula de hoje.
Para a segunda parte, Cadú e Rejane solicitaram que nos reuníssemos e demonstrássemos a cena que havia tomado um corpo a mais na aula passada, alguns personagens já estavam mais consolidados, algumas ações já estavam mais compostas. Hoje tivemos uma proposta diferente também, trocamos experiências com a outra turma “B”, ou seja, nos foi preparado e solicitado apresentar para a outra turma e a outra turma se apresentar para nós, isso serve para analisarmos como está o processo de ambas as turmas para que mais adiante consigamos transformar e incorporar tudo num só. Num período curto de uns dez minutos a classe se reuniu e aos que faltaram na aula passada foi dito tudo que havia sido composto até o momento e de acordo entre todos, demos seqüência a cena que cada aula que passa vai tomando mais corpo e vai se modelando mais e mais... P.s: Sempre lembrando que nosso “START” é a música: VALSINHA de Chico Buarque.
Pois bem, dentro desse tempo conseguimos nos compor e ensaiar a cena, Cadú e Rejane puderam acompanhar todo esse processo e depois de tal ensaio, tivemos um bate papo de observações bem rapidinho, Cadú e Rejane ficaram surpresos com o que já havíamos composto até o presente momento e as observações foram super POSITIVAS o que nos motivou muito mais. Voltamos ao ponto de concentração, estávamos a poucos minutos de apresentar para a outra turma e assim foi feito, a outra turma adentrou a sala e nós já estávamos prontos para a representação, fizemos como devia ser feito e então vieram os aplausos no final. Dando seqüência, nos sentamos e acompanhamos a outra turma na apresentação deles que também foi bonita de se ver, inclusive de se comparar.
Ao final tivemos mais uma surpresa, a coordenadora-professora da outra turma sugeriu então que aliássemos ambas as cenas, sem uma concepção pré determinada, apenas agiríamos como havíamos composto anteriormente e com isso nos relacionaríamos com os novos personagens aparecidos. Assim foi feito, ambas as turmas estavam em cena, todos entregues, emoções significadas, ações criadas e tudo aliado ao som da Valsinha que nos transportava e nos guiava, nosso material estava técnicamente estruturado, preparado por um treinamento sólido, então demos livre curso à excitabilidade. O resultado de tudo isso foi LINDO, surgiram muitas imagens perfeitas, muitas compatibilidades, muitas fotografias e muita afinidade entre todos.
Todos sentados novamente, coordenadores e alunos iniciaram uma roda de observações e sensações, todos se manifestaram e teceram seus pontos de vista e num resumo geral poderia definir mais essa aula de hoje como: BÉLA, PRAZEROSA, CRIATIVA, EFICIENTE, dentre tantas outras características POSITIVAS que foram citadas.
E como citei no início, comprovo que o AMOR pela arte, pelo teatro e pelas pessoas, foi o ponto crucial para mais um enorme aprendizado.

Observações a serem feitas da aula de hoje: Foi legal ver todos com seus respectivos FIGURINOS e ADEREÇOS (ANTEPAROS); foi bacana também poder incorporar tudo que vem sendo estudado ao decorrer das aulas (deu pra lincar muita coisa de todos os coordenadores: Edu, Cadú, Laura e Rejane) do furacão à mímica, musicalidade ao anteparo. Disposição do público, todos participando de certa maneira da cena entre os atores/atrizes.

Protocolo do dia 17/06 - Camila Nobre‏

PROTOCOLO DA AULA DO DIA 17/06/10
Professora Laura Lucci

A primeira parte da aula foi direcionada a recapitulação dos aspectos da mímica trabalhados na aula anterior. (Ver protocolo do dia 20/05/10)
Concluímos esta etapa, explorando possibilidades de elaboração de partituras de movimento a partir da meditação e de todos as qualidades de movimento trabalhadas anteriormente.

Tivemos também a visita da Roberta Carbone, que participou do projeto de pesquisa da Laura sobre o Decroux. Ela irá acompanhar as aulas da Laura e compartilhar conosco sua experiência de criação cênica a partir da mímica.

Em um segundo momento, foi proposto que fizéssemos exercícios em dupla. De olhos fechados, uma pessoa ouvia a música e dizia que imagens lhe vinham à cabeça. A outra pessoa, anotou tudo que o outro disse. Quando a música terminou, trocamos de lugar.
Após a realização do exercício, tivemos um tempo para discutir sobre o que surgiu a partir dessa proposta. Após realizar a discussão em dupla, estendemos os comentários ao grupo.

Foi interessante perceber que mesmo com imagens um pouco diferentes, chegamos a lugares semelhantes. A dupla de Jó e Noélia identificou que a música levava os “personagens” a um lugar de frustração e descrença da possibilidade de realização daquele encontro, os levando a uma realidade triste e possivelmente decadente. Camila e Rodrigo chegaram a conclusão de que havia na cena uma não concretização do fato, um desencontro, porém a expectativa e espera por ele. Identificamos duas etapas dessa irrealização. A primeira, mais otimista, quando ainda considera a possibilidade de um encontro, que coloca os personagens em uma situação anterior a frustração. Por outro lado, temos a situação posterior, onde os personagens já se desencontraram e sofrem pelo não realizado, desacreditados na possibilidade de um possível reencontro.

Após uma conversa sobre as nossas idéias, foi proposto que realizássemos uma cena, para entrar em contato com uma possível partitura.
Exploramos a idéia de construir uma RODA e realizar as partituras simultaneamente. Trabalhamos também com a idéia de CONTRUÇÃO e RECONSTRUÇÃO e com personagens que poderiam ser REFLEXOS da mesma pessoa.

Descrição da cena: Distribuídos na sala formando um quadrado (meio círculo, rs), identificamos nossos espaços com objetos que já tinham sido utilizados nas aulas anteriores. Rodrigo utilizou uma garrafa de bebida, Noélia um sapato, Jó uma carta e Camila usou utensílios de maquiagem.
Ao som da música Valsinha, cada personagem em seu núcleo, iniciou sua partitura de ação. Aos poucos, eles se deslocavam para o lugar do outro. Os objetos ficavam, e o objetivo era explorar o universo da outra pessoa, seus objetos, no caso. A cena teve fim quando todos voltaram para os seus respectivos lugares.
Detalhe importante: o público da ação, pôde optar em ficar parado ou se deslocando durante o processo. Ele também se sentiu livre a interagir com os personagens.

Comentários sobre a construção cênica: No final da aula, sentamos e ouvimos algumas sugestões e questionamentos da Laura, sobre a atividade.
Questões: Onde fica o público mesmo? Tornar consciente e clara a localização.
Qual é a relação que podemos estabelecer com o público que anda?
O que se pode fazer pra dar continuidade ao trabalho? Elaboração de uma dramaturgia?
Sugestões: Trabalhar com a possibilidade de criar um universo em cada lugar.
Os encontros e desencontros podem gerar possíveis diálogos/troca entre os personagens.
Explorar os espaços da escola para a realização do exercício. Como por exemplo, realizar a cena no pátio e propor que o público a veja de cima, dos corredores.

Princípios da mímica e a relação com a cena: Onde colocar?
Pensar que tudo o que já foi trabalhado pode ser inserido na partitura, principalmente se soubermos qual é a partitura.
Explorar: oposição, amplitude, transferência, segmentação.


IMPORTANTE: FOI COMBINADO QUE A PARTIR DA PRÓXIMA AULA, LEVARÍAMOS SEMPRE OS OBJETOS E FIGURINOS ESCOLHIDOS PARA A ELABORAÇÃO DA CENA.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ATA AULA DIA 20 DE MAIO DE 2010
PROFESSORA: Laura Lucce

PRESENTES NA AULA:
Gilberto Freitas
Evie Milani
Camila C. Nobre
Ana Frazão
Joana
Rodrigo Oliveira
Paulo
Daniel
Rossana de Marchi

ESCRITO POR:
Rossana de Marchi

Na aula foram passados os princípios da Mímica Corporal Dramática. São Eles: Tônus(La pin), Transferência de peso ( 4 alavancas), os tipos de andares, segmentação(rotação, inclinação, translação), as partes ativas do corpo(cabeça, busto, quadril, perna e peso), o uso das 3 dimensões,, oposição( amplitude do movimento), dinâmica rítmica (toque global, toque ressonância, vibração, antena de escargot e pontuação). Tudo isso por meio de exercícios práticos, iniciados por um aquecimento de Lecoq.(posições e respiração)
Fizemos também uma meditação que era composta dos seguintes movimentos(idéias): ver a idéia, colocar na mesa, ficar em dúvida, ver outra idéia, duvida de qual é a melhor, juntar as duas e tomar atitude. Ao som da Valsinha executamos essa meditação, primeiro isolados, depois interagindo com os outros e por fim divididos em dois grupos construímos uma cena em cima do que foi passado em aula.
No final da aula discutimos sobre sensações que tivemos e os assuntos abordados foram: a beleza da mímica no entendimento do mundo físico, de expressar sensações e sonhos escondidos através do corpo. Para Etienne Decroux a mímica era baseada em ética, poética, estética e pedagogia. O importante era trazer através de movimentos simples e do cotidiano os sentimentos dentro do ator, e não só a ação pela ação. O simples pode virar uma ação, existe a possibilidade de corte, de rasgar o tempo. Como exemplo Laura contou para a gente sobre uma cena onde uma mulher estava costurando e de repente essa costura era da vida dela.. saiu do simples ato de costurar um tecido e virou uma costura dos sonhos dela.
A mímica não precisa ter uma linearidade, tem a beleza de outro tempo, espaço e trabalha muito com a liberdade poética. É o corpo falando sem ser narrativo, falando o que importa ( o que não quer dizer que não possa ter falas na mímica)

Como bibliografia Laura falou do livro Canoa de Papel de Eugenio Barba, citou também o filme Boulevard do Crime onde Decroux atua como ator e cuidou da parte corporal. O Grupo Dos a deux também foi citado por fazer um trabalho interessante em relação á Mímica Corporal Dramática e também foi falado de George Mascarenhas e Vitor Seixas que fazem esse trabalho no Brasil.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Galera, segue:


PROTOCOLO DA AULA DO DIA 27 DE MAIO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Escrito por: Jó Bichara


Uma aula com muitos “faltantes”, entre os presentes estávamos em cinco pessoas, mas posso dizer que a energia foi tão boa, o comprometimento de todos foi intenso que a aula correu maravilhosamente bem.
Trabalhamos com a “mestra” Rejane Arruda “O Jogo dos Anteparos: uma intersecção metodológica”; no início abordamos um bate-papo a respeito das propostas desenvolvidas e como na música do Teatro Mágico: “Tem horas que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só”?!; começamos a perguntar e responder o que nos refletia por dentro e num jogo de entendimento junto a Rejane muitos conceitos, técnicas, tendências e probabilidades foram esclarecidas, posso destacar assuntos como: Temática desse curso (que por sinal é curto, temos que aproveitar ao máximo); Anteparos; Ligação das pesquisas propostas pelos coordenadores; Calendário, dentre muitas outras coisas, foi um momento muito BOM e GOSTOSO onde numa roda pudemos conversar e trazer a tona tudo que se faz pertinente nesse curso. Após esses esclarecimentos, discutimos um pouco sobre a “VALSINHA”, colocamos nossos olhares a respeito dessa música (afinal, ela nos guiará nessa jornada) e EU disse que a música havia uma história (todos podem observar no e-mail anterior que enviei ao “grupo” onde anexei a conversa do Chico Buarque com Vinícius de Moraes a respeito da música Valsinha e também postei no Blog do grupo) foi a partir de então que demos o START para nosso trabalho.
Todos passaram a ter em mente uma criação de personagem remetida a VALSINHA e jogando com ANTEPAROS, para tal criação foi usado experimentos das aulas passadas (Laura Lucci, Cadú e Eduardo de Paula), surgiram daí uma “Mulher Bêbada”; um “Marido Arrasado”; uma “Mulher à Espera”; um “Senhor de Idade” e um “Homem Boêmio” todos constituídos a partir de exercícios anteriores e paltados em anteparos, tais como: carta; chapéu, sapato, dominó, guarda chuva, cigarro, bacia, palavras, imagens, etc:. Com essas idéias em mente, partimos para a constituição, foi nos dado um tempo mínimo e através desse tempo, montamos cenas para apresentar. Joaquim Antônio disse uma vez que “No Teatro o homem encontrou um meio não de ser outro, mas de poder realmente ser ele mesmo”. Assim sendo, procurei trazer a verdade dentro de mim, me senti como a mim mesmo encenando um pequeno momento de vida.
Foi assim que todos fizemos, cada um retratando de uma maneira diferente seus personagens, suas idéias e seus anteparos, mas que se paramos pra olhar melhor, tudo se une, tudo vem de encontro a uma mesma história, quando todos já se apresentaram, sentamos com a Rejane e mais uma vez colocamos na pauta tal experimento e confesso que um turbilhão de idéias positivas se fundiram, conseguimos enxergar muitas ligações entre pessoas e personagens, saímos mais uma vez estusiasmados e com a certeza de que demos mais um passo no nosso “arquivo” profissional.
Assim finalizamos mais um encontro, mais uma aula, mais uma confraternização, tenho certeza que estamos nos alimentando desse alimento sadio que é o TEATRO, e que tenhamos uma excelente digestão.
Olá, estou postando aqui o PROTOCOLO da aula do dia 13/Mai/2010

Bjão




PROTOCOLO DA AULA DO DIA 13 DE MAIO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Escrito por: Jó Bichara


Como já dizia Henrik Ibsen: “A beleza é o acordo entre o conteúdo e a forma”. E assim começamos mais uma “aula – encontro” sob coordenação de Carlos Eduardo Witter “O Ator Musical”. A aula se pautou sobre a biomecânica de Meyerhold como um condicionamento libertador, criando as margens de criação do ator. Todos (alunos) trabalharam com suas - juntas do corpo – ou seja, um exercício com as partes flexíveis de nosso corpo, começando pelos pés e suas probabilidades de movimentos, logo após se estendendo pelos joelhos, braços, quadris, pescoço e por todo corpo. Ao estabelecermos uma síntese e esquematização dessas ações, todos nos deslocamos pelo espaço, aonde interagimos com os demais e conosco mesmo. Logo após, Cadu (olha EU íntimo já... rsrsrsrs) nos mostrou algumas concordâncias rítmicas a qual seguimos a risca sua execução (andar normal em diagonal pela sala, andar lateralmente, andar com dois pulinhos intercalados, andar com os apoios no chão e com os pés soltos, andar com os apoios no chão e jogando os braços, etc), feito isso nos foi proposto um exercício que parte de técnicas de “contemplação ao sol”, por exemplo, como também técnicas de yoga para uma concentração de aquecimento, com as mãos unidas e o dedo indicador exposto, pés bem fixos no chão, perna aberta na largura do quadril, elevamos os braços ao alto na inspiração, descemos nossos braços, flexionamos nossos joelhos e abraçamos por detrás de nossas pernas na expiração. Feito isso, orientados pelo Cadu, começamos a buscar um treinamento separado da encenação, voltando-nos para o domínio do nosso corpo e controle da expressão, começamos primeiramente com a voz, entonações graves, agudas, longas, curtas, fortes, fracas, um experimento e conhecimento para com nossa própria ferramenta vocal. Em seguida, recebemos a letra da música “Valsinha – Chico Buarque”, fizemos uma leitura e sem ordem posta, começamos a ler cada qual um verso (frase) até que todos lessem, após, cada um escolheu um verso e ou frase para si e assim trabalhamos em cima dessa escolha. Começamos a testar entonações e musicalidades para com essas “poucas” palavras escolhidas; essa “pequena” frase: grave, agudo, curto, longo, forte, fraco, espiral, insetos, chuva, medo, etc:, claro que tudo isso aliado ao corpo, também houve interações pessoais entre os aprendizes, isso muito enriqueceu a experimentação, os exercícios biomecânicos nos prepara para fixar nossos gestos em posições-poses que concentram ao máximo o movimento nos três estágios do ciclo do jogo (intenção, realização, reação), passado muito tempo, fomos esclarecidos de que agora era preciso estabelecer uma diferenciação de palavra por palavra, ou seja, essa frase teria que ser dita diferentemente (tom, expressão e corpo) palavra por palavra e assim foi feito um a um. Dica: Não esqueçam de ter consigo sempre um “squeeze” com água. Voltamos a trabalhar nossas ações físicas, nossos corpos tomavam formas e se deslocavam ao estímulo sonoro, improvisamos e tivemos uma grande liberdade sem limites, tudo vem de encontro à proposta de Meyerhold onde a materialidade da cena é espetáculo. Nossas ações foram trabalhadas tanto em plano totalmente aberto como em plano reduzido, sempre impulsionados a ocupar os espaços vazios. Com essa experiência, nos foi proposto repetir a frase que cada um havia escolhido, aleatoriamente, olhando para uma pessoa, isso nos proporcionou estados físicos, mentais e emocionais variados. Por fim, impulsionados pelo Cadu, aprendemos a ouvir com nosso “ouvido interior”, muitas vezes estamos abertos para estímulos tais como sons e imagens meramente superficiais, estamos acostumados a ver e ouvir muito “lixo” que está em nosso entorno e deixamos de nos orientar e sensibilizar com estímulos mais profundos e longínquos, para tanto nos colocamos em silêncio e procuramos ouvir primeiramente nosso interior e depois nosso exterior. Com tudo, pudemos agregar em nossos estudos a consciência de coordenação no espaço e sobre a área de representação, a capacidade de encontrar-se a si mesmo em um fluxo de massa, a faculdade de adaptação, de cálculo e de justeza do golpe de vista. Vimos que o gesto é resultado do trabalho de todo o corpo. Assim como a música é sempre uma sucessão precisa de medidas que não rompem o conjunto musical, também nossos exercícios são uma seqüência de deslocamentos. Temos na cabeça não um personagem, mas uma reserva de materiais técnicos. O ator está sempre na posição de um homem que organiza seu material. Tudo isso vem de encontro à nossa primeira aula, trabalhamos e pesquisamos nosso corpo, nossa mente, botamos ação nessas pesquisas, afloramos nossos sentimentos aliado a nossa sensibilidade e colhemos os resultados propostos.
“Sem paixão não da nem pra chupar um picolé” dizia Nelson Rodrigues, tudo isso é fruto de muita paixão pela arte, pelo Teatro e que a PAIXÃO seja uma eterna.

P.s: Se me esqueci de algo, perdoe-me e acrescentem.