terça-feira, 1 de junho de 2010

Olá, estou postando aqui o PROTOCOLO da aula do dia 13/Mai/2010

Bjão




PROTOCOLO DA AULA DO DIA 13 DE MAIO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Escrito por: Jó Bichara


Como já dizia Henrik Ibsen: “A beleza é o acordo entre o conteúdo e a forma”. E assim começamos mais uma “aula – encontro” sob coordenação de Carlos Eduardo Witter “O Ator Musical”. A aula se pautou sobre a biomecânica de Meyerhold como um condicionamento libertador, criando as margens de criação do ator. Todos (alunos) trabalharam com suas - juntas do corpo – ou seja, um exercício com as partes flexíveis de nosso corpo, começando pelos pés e suas probabilidades de movimentos, logo após se estendendo pelos joelhos, braços, quadris, pescoço e por todo corpo. Ao estabelecermos uma síntese e esquematização dessas ações, todos nos deslocamos pelo espaço, aonde interagimos com os demais e conosco mesmo. Logo após, Cadu (olha EU íntimo já... rsrsrsrs) nos mostrou algumas concordâncias rítmicas a qual seguimos a risca sua execução (andar normal em diagonal pela sala, andar lateralmente, andar com dois pulinhos intercalados, andar com os apoios no chão e com os pés soltos, andar com os apoios no chão e jogando os braços, etc), feito isso nos foi proposto um exercício que parte de técnicas de “contemplação ao sol”, por exemplo, como também técnicas de yoga para uma concentração de aquecimento, com as mãos unidas e o dedo indicador exposto, pés bem fixos no chão, perna aberta na largura do quadril, elevamos os braços ao alto na inspiração, descemos nossos braços, flexionamos nossos joelhos e abraçamos por detrás de nossas pernas na expiração. Feito isso, orientados pelo Cadu, começamos a buscar um treinamento separado da encenação, voltando-nos para o domínio do nosso corpo e controle da expressão, começamos primeiramente com a voz, entonações graves, agudas, longas, curtas, fortes, fracas, um experimento e conhecimento para com nossa própria ferramenta vocal. Em seguida, recebemos a letra da música “Valsinha – Chico Buarque”, fizemos uma leitura e sem ordem posta, começamos a ler cada qual um verso (frase) até que todos lessem, após, cada um escolheu um verso e ou frase para si e assim trabalhamos em cima dessa escolha. Começamos a testar entonações e musicalidades para com essas “poucas” palavras escolhidas; essa “pequena” frase: grave, agudo, curto, longo, forte, fraco, espiral, insetos, chuva, medo, etc:, claro que tudo isso aliado ao corpo, também houve interações pessoais entre os aprendizes, isso muito enriqueceu a experimentação, os exercícios biomecânicos nos prepara para fixar nossos gestos em posições-poses que concentram ao máximo o movimento nos três estágios do ciclo do jogo (intenção, realização, reação), passado muito tempo, fomos esclarecidos de que agora era preciso estabelecer uma diferenciação de palavra por palavra, ou seja, essa frase teria que ser dita diferentemente (tom, expressão e corpo) palavra por palavra e assim foi feito um a um. Dica: Não esqueçam de ter consigo sempre um “squeeze” com água. Voltamos a trabalhar nossas ações físicas, nossos corpos tomavam formas e se deslocavam ao estímulo sonoro, improvisamos e tivemos uma grande liberdade sem limites, tudo vem de encontro à proposta de Meyerhold onde a materialidade da cena é espetáculo. Nossas ações foram trabalhadas tanto em plano totalmente aberto como em plano reduzido, sempre impulsionados a ocupar os espaços vazios. Com essa experiência, nos foi proposto repetir a frase que cada um havia escolhido, aleatoriamente, olhando para uma pessoa, isso nos proporcionou estados físicos, mentais e emocionais variados. Por fim, impulsionados pelo Cadu, aprendemos a ouvir com nosso “ouvido interior”, muitas vezes estamos abertos para estímulos tais como sons e imagens meramente superficiais, estamos acostumados a ver e ouvir muito “lixo” que está em nosso entorno e deixamos de nos orientar e sensibilizar com estímulos mais profundos e longínquos, para tanto nos colocamos em silêncio e procuramos ouvir primeiramente nosso interior e depois nosso exterior. Com tudo, pudemos agregar em nossos estudos a consciência de coordenação no espaço e sobre a área de representação, a capacidade de encontrar-se a si mesmo em um fluxo de massa, a faculdade de adaptação, de cálculo e de justeza do golpe de vista. Vimos que o gesto é resultado do trabalho de todo o corpo. Assim como a música é sempre uma sucessão precisa de medidas que não rompem o conjunto musical, também nossos exercícios são uma seqüência de deslocamentos. Temos na cabeça não um personagem, mas uma reserva de materiais técnicos. O ator está sempre na posição de um homem que organiza seu material. Tudo isso vem de encontro à nossa primeira aula, trabalhamos e pesquisamos nosso corpo, nossa mente, botamos ação nessas pesquisas, afloramos nossos sentimentos aliado a nossa sensibilidade e colhemos os resultados propostos.
“Sem paixão não da nem pra chupar um picolé” dizia Nelson Rodrigues, tudo isso é fruto de muita paixão pela arte, pelo Teatro e que a PAIXÃO seja uma eterna.

P.s: Se me esqueci de algo, perdoe-me e acrescentem.

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