terça-feira, 5 de outubro de 2010

SP Escola de Teatro / CEPECA - USP


SP Escola de Teatro / CEPECA – USP



Protocolo da aula do dia 23/09/2010

Escrito por: Jó Bichara



Quinta-Feira, nosso último dia de aula, agora, só nos resta a saudade, só nos resta as pesquisas e as lembranças da turma. Depois desse dia, os dias não serão os mesmos, nós não seremos os mesmos, nossa concepção teatral vai mudar. Restará nas lembranças esse último dia e os anteriores, as conversas, os debates da turma, os risos, as polêmicas, os professores, neste último dia, logo na chegada de todos, olhei para cada um, cada rosto, cada olhar, uns sei que voltarei a encontrar, outros não tenho tanta certeza, mas de uma coisa eu sei, sentirei saudades.
Fizemos nosso ultimo aquecimento coordenados pela excepcional Renata Mazzei, já na sala se encontravam Rejane, Edu e Evinha. Feito nosso “aquecimento” e trabalho corporal, passamos então a experimentar nossa cena concebida, começamos o trabalho na prática, aos olhos dos atenciosos e dedicados educadores do CEPECA, logo mais adiante, cerca de uma hora, seria nossa tão esperada APRESENTAÇÃO !, estávamos compenetrados no trabalho e depois de passarmos nossa cena algumas vezes, Rejane e os demais educadores sempre com seus olhares especiais e seus talentos inigualáveis, tocaram com maestria nosso trabalho e causaram uma interferência positiva para engrandecer ainda mais esse resultado que havíamos criado, com isso, nossa cena ou resultado final, foi aos poucos se moldando em pequenos novos detalhes e com isso tomando uma forma mais plausível, mais vistosa... era uma dica aqui, outra ali e atentos fomos acolhendo esses últimos ensinamentos e chegamos num resultado final, agora com começo, meio e fim, não havia mais tempo pra nada. Foi então que com a presença do Juliano (Coordenador dos Cursos de Difusão da SP Escola de Teatro) e demais membros do CEPECA (Cadú, Adriano e Renata Kamla) apresentamos o que construímos durante todo processo de aprendizado.
Ao final, em roda, debatemos as técnicas, as emoções, ações, sentimentos, processos e acima de tudo o orgulho de termos participado de tão honrosa companhia e maestria junto aos amigos (creio que já posso dar esta denominação) do CEPECA e aliado a isso, também frisamos o acolhimento que a SP Escola de Teatro e o Juliano nos proporcionaram.
Espero que nessa VIDA possamos semear a arte de maneira sempre a conduzir ao caminho do amor, do respeito, da igualdade e acima de tudo da amizade. Cada gota de suor, cada desesperança, cada dor no corpo, cada dúvida, valeu muito a pena, no final o que ficou foi o aprendizado, o crescimento, a intelectualidade, o conhecimento e o amor. Meu muito OBRIGADO a todos.

domingo, 19 de setembro de 2010

Protocolo da aula dia 16/09/2010 = SP Escola de Teatro - CEPECA (USP)

SP Escola de Teatro CEPECA (USP)


Protocolo da aula dia 16/09/2010

Elaborado por: Jó Bichara


Mais uma Quinta-Feira e conosco Edu de Paula e sua pesquisa “O Ator no Olho do Furacão”, o dia estava gostoso e pra esquentar todos nos reunimos num agradável bate-papo “profissional” [espetáculos, escolas, técnicas, Stanislavski, Grotowski, Barba e esclarecimento de dúvidas], após, partimos para o treinamento onde iniciamos uma caminhada pelo espaço, algumas condições foram propostas, ou seja, passamos a realizar tal caminhada pelo espaço em uma escala que ia de 0 a 10 (10 é considerado o centro do furacão, um lugar calmo, quente), isso ao mesmo tempo é um ponto de partida e um ponto de chegada, com isso fomos observando aspectos como freqüência; espaço; direção; velocidade e intensidade e mais tarde fomos experimentando também aspectos de temperatura, ou seja, aliamos o exercício a temperaturas como aragem, brisa, garoa, chuva, tempestade e ventania, todas essas metáforas formaram o conjunto da nossa investigação.
Mais adiante, espalhados pela sala, fomos orientados a encontrar um colega através do olhar e com isso estabelecermos uma relação através de palavras e mais adiante gestos, onde num primeiro momento de estabelecimento, caminhávamos em direção ao colega escolhido e com a ação de palavras dizíamos: Olá, tudo bem?, num segundo momento, caminhávamos em direção ao colega e com a ação de gestos estendíamos a mão para um cumprimento e num terceiro momento, utilizamo-nos do gesto de abraçar, munidos dessas opções e incorporando nosso deslocamento em escala, demos seqüência ao treinamento agora regido por deslocamento, aspectos, temperatura e relacionamento. Iniciávamos com a escolha da pessoa através do olhar, seguíamos nossa direção com a “velocidade” já pré escolhida e nos relacionávamos com a intenção também já pré escolhida e finalizávamos com a escolha de um lugar e um STOP (parada). Durante este exercício, executamos a retenção dos impulsos, uma análise para observar desenhos corporais, ou seja, parávamos repentinamente em certos momentos e olhávamos para os colegas e suas posturas. Mais tarde, utilizamos esse jogo e ou exercício em duplas, enquanto os demais apenas observavam.
Agora, no momento preciso, voltamos a trabalhar nossa “cena” final, apresentamos ao Edu e ao final dessa primeira apresentação tive a idéia de incorporar junto a cena uma seqüência baseada no exercício que acabávamos de fazer, onde num certo momento girávamos em torno da Sônia e tal giro se deslocava em escala, e conseguimos com isso aliar espaço, direção, velocidade, intensidade e temperatura.
“O que caracteriza o ator no início é a aquisição de um ethos. Ethos no sentido de comportamento cênico, isto é, técnica física e mental; e no sentido de ética de trabalho, de mentalidade modelada pelo ambiente humano no qual se desenvolve a aprendizagem.” (BARBA, 1993: 95) De acordo com este princípio, o ator deve desenvolver um comportamento pessoal face aos companheiros, ao trabalho e à arte desde o começo do seu caminho enquanto criador.
Mais uma vez apresentamos nossa cena com o que foi incorporado e ao final, Edu fez algumas sugestões e observações muito preciosas, onde todos atentos captaram e levaram pra si o que acharam de importante. Utilizamos uns dez minutos finais para decidir questões e aspectos administrativos e visuais da apresentação. Assim foi mais um dia de aula, se me permitem digo de passagem, aulas essas que são de um prazer enorme e de um aprendizado sem tamanho com pessoas especiais que vão desde o Profº Dr. Armando Sérgio, passam pelos orientadores professores do CEPECA e chegam ao carinho dos aprendizes Rodrigo, Rodolfo e Sônia que já carrego todos no coração.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SP Escola de Teatro - CEPECA (USP) / Protocolo da aula do dia 09/09/2010

SP Escola de Teatro CEPECA – Centro de Pesquisa em Experimentação Cênica do Ator


Protocolo da aula do dia 09/09/2010

Elaborado por: Jó Bichara


Vamos lá, hoje com Cadú e Renata, ou seja, “O Ator Musical: a musicalidade como eixo central na composição cênica” e “Um olhar, um novo olhar, através de...”, a máscara uma possibilidade pedagógica. Começamos o trabalho de hoje tocando nosso próprio corpo como se estivéssemos “despregando” toda nossa pele, todo nosso corpo. Longo tempo “despregando” a pele, depois continuamos a sentir nosso corpo, como se estivéssemos nos moldando, como se fossemos feito de massinha e aos poucos fomos nos aproximando dos colegas, e com tal aproximação, passamos a tocar o colega sem deixar de nos perceber também, exploramos todo o corpo do outro com o intuito de procurarmos o que o outro corpo tem que nos assemelha a nós ou o que o outro tem que se difere de nós e depois de certo tempo, ainda tocando uns aos outros, todos começaram a se deslocar pelo espaço até o encontro entre todos seguido de um toque mútuo, formando um só desenho, uma só forma, lembrando que a respiração é fundamental, jamais esquecer de respirar com consciência.
Passamos para um exercício de respiração e voz onde ao falar uma vogal, a transmitíamos por todo o nosso corpo, ou seja, emitíamos o som de uma vogal e fazíamos esse som ressoar por partes do corpo isoladamente, como: cabeça, face, pescoço, peito, diafragma. Brincamos-testamos vogais e consoantes e aprendemos a ouvir os sons emitidos por partes diferentes do nosso corpo. Depois individualmente, uma pessoa se dirigia ao centro da roda e os demais tocavam alguma parte do corpo da pessoa que estava ao centro e com isso a mesma pessoa do centro devia falar uma frase ressoando dessa parte que era estimulada pelos colegas, esse estímulo deveria ser feito de maneira acintosa, com diversas partes do corpo.
Fomos então para as máscaras, todos recebemos uma máscara, cada um com uma diferente da outra, e de olhos fechados começamos a sentir essa máscara, a tocá-la e depois de um tempo tocando-as, abrimos os olhos e começamos a “estudar” a máscara que nos foi dada. Depois começamos a pronunciar nossas frases “encarnados” na imagem que retiramos de nossas máscaras e mais adiante as máscaras foram retiradas de nossas mãos, mas continuamos com nosso trabalho de pronuncia (voz) e encarnação (máscara). Entre essa “encarnação”, podíamos responder aos estímulos gerados pelos outros. Junto a tudo isso, nosso corpo também se moldou a essa “encarnação” e foi criando formas. Passamos depois para um exercício onde tinha os mesmos parâmetros só que agora recebemos máscaras diferentes, realizamos todo o processo novamente e criamos uma nova fala e corpo. Tínhamos agora uma frase dita de maneiras diferentes, com corpos diferentes. Com tudo isso adquirido, fomos agora para um novo processo de experimentação, onde devíamos esquecer todas as formas corporais adquiridas até o momento e experimentar novas alternativas, sempre ressonando nossa frase e ou texto nos tons que descobrimos anteriormente, lembrando: estamos experimentando corpo e não voz. Depois de certo tempo experimentando, escolhemos dois movimentos corporais e adaptamos a fala e apresentamos individualmente. Com isso passamos a experimentar tudo isso nas diversas ressonâncias corporal.
Tudo isso serviu para acrescentar na nossa criação até o presente momento e com isso também foi sugerido montar uma pré-cena antes da cena já composta anteriormente, ou seja, isso que havíamos feito até o momento foi acrescentado na nossa apresentação final. Com isso voltamos a apresentar nossa cena composta até o momento, acrescentando tudo isso que vimos nessa aula.

domingo, 5 de setembro de 2010


Apresenta:
MIRAFLORES




Espetáculo selecionado para o encerramento do XVI FESTIVAL DE TEATRO DE VINHEDO 2009
Espetáculo premiado em quatro categorias no VIII FESTIVAL DE TEATRO DE MOGI MIRIM 2009

Data:
08/09 (4ª feira) às 20h00
Local: Vinhedo-SP - Teatro Municipal Sylvia de Alencar Matheus Rua Monteiro de Barros, 101
Valor: Gratuito, bilheteria abrirá 1 hora antes do espetáculo

20/09 (2ª feira) às 19h30 e 24/09 (6ª feira) às 19h30
Local: Campinas-SP - Auditório IA ( Unicamp ) Rua Elis Regina, 50Valor: Gratuito, retirar senhas com 1 hora de antecedência no local

Produção: Jó Bichara
Direção: Adilson Ledubino
Direção Musical: Eduardo Virgílio

Elenco: Amanda Moreira
Eduardo Virgílio
Henrique César Vieira
Letícia Frutuoso
Rafael Santin
Vítor Paranhos

O ESPETÁCULO - Miraflores é a história de uma cidade imaginária e também a de seus moradores que, após fugirem da cidade da “Ratoeira”, crêem ter encontrado ali um lugar ideal para se viver. Das relações mais cotidianas e imediatas desvelam-se detalhes extraordinários que, no fundo, não têm nada de novo. Os tais moradores são como qualquer um de nós, pessoas... comuns. Porém, a utopia de uma vida igualitária e harmoniosa é destruída pela ação corrosiva do poder. As personagens seguem em nova retirada. Porém, terão eles encontrado o que procuram?

O TEXTO - O texto dramaturgico de Miraflores é resultado de processo colaborativo pautado na obra de Bertolt Brecht (usado como método de montagem) e baseado nos textos sobre poder de Michel Foucault (como temática principal). Estruturado em um prólogo, cinco quadros e um epílogo, que se ligam para contar a história dos moradores de uma nova cidade, tem como fio condutor três gerações de mulheres que representam o sonho, a decepção e a luta perseverante e esperançosa na mudança. É um retrato atemporal, supostamente localizado num território distante e imaginário, mas que ainda assim, nos fala diretamente, chamando-nos à reflexão sobre as formas de relacionamento que reinam entre os seres.

O PROCESSO COLABORATIVO - Modo de produção teatral pautado no coletivo, buscando garantir a todos os participantes o espaço para a criação. As fronteiras tradicionalmente rígidas no teatro são derrubadas e a troca entre os diversos profissionais é permitida e encorajada. O texto não é mais posse do dramaturgo, nem o palco reinado intocável do ator, nem a encenação exclusividade do diretor. Todos opinam e colaboram em tudo, ainda que as funções sejam mantidas para um bom funcionamento do trabalho. No processo colaborativo se conhece o ponto de partida, nunca o de chegada. Este é resultante da relação direta entre todos os envolvidos da Cia. Bancante de Teatro na sua concepção de criação.

“Na História, como na Natureza, a podridão é a fonte da vida, da mudança”.(Eduardo Galeano)

sábado, 4 de setembro de 2010

SP Escola de Teatro - CEPECA (USP) / Protocolo da aula do dia 02/09/2010

SP Escola de Teatro – CEPECA (USP)

Técnicas Convergentes na Criação Cênica do Ator


Protocolo da aula do dia 02/09/2010

Autor: Jó Bichara


Nossa aula de hoje foi conduzida pelos Professores/Orientadores: Carlos Eduardo (Cadú) e pela Débora Zamarioli e nosso “start” inicial da aula foi um trabalho no chão proposta pela Débora, imaginamos uma estrela do mar (como desenho) e trabalhamos pensando em seis “pontas” para condução, ou seja, membros (pés e mãos) e uma linha que puxava do cóccix à cabeça, com isso fizemos com que nossos corpos se esticassem ao máximo e ao encolher, também encolhíamos ao máximo indo pra posição fetal, sempre trabalhando com a consciência da respiração (inspira e abre, expira e fecha) e usando ambos os lados (direito e esquerdo), ao decorrer, começamos a aumentar esse movimento tirando o corpo do chão usando nossos apoios e voltando para o chão e por conseguinte fomos avançando para outros planos (baixo, médio e alto), dando seguimento, passamos a trabalhar no plano alto mas agora com tempo, onde num tempo de seis nos expandíamos ao máximo e mais seis para nos retrairmos ao máximo, depois num tempo de dois para expandir e seis para retrair. Nesse momento nosso sistema endócrino parece que estava a todo vapor, os hormônios vibravam. Após, passamos a trabalhar com formas de vogais (a; i; u) onde nosso corpo seguia uma flexibilidade da boca, a vogal “A” por exemplo da uma precisão de cima e baixo, a vogal “I” de direita e esquerda e a vogal “U” de frente e trás, nesse exercício nosso corpo todo respondia conforme a vogal pronunciada (muito interessante – nosso corpo cênico).
Seguindo adiante, Cadú iniciou um processo de respiração, num momento em que utilizamos da respiração para preencher três espaços em nosso corpo (diafragma, região peitoral e por entre as costelas), inspirávamos em três fases e expirávamos em três, sempre enchendo e esvaziando, depois ainda trabalhando a mesma respiração andamos pela sala e num passo mais adiante aliamos a respiração, ao caminhar e acrescentamos movimentos, pronto, nosso corpo e mente agora exerciam um processo fantástico. Veio então o “shake” proposto pelo Cadú, onde trabalhamos com o movimento do quadril isoladamente como se estivesse girando num “shake”, esse movimento foi então proposto para a parte de cima (região peitoral) isoladamente e em seguida trabalhamos com o “shake” subindo e descendo (quadril e peito), junto a isso acrescentamos um som para determinado “shake” (quadril = E; Peito = I; por exemplo) e depois começamos a explorar outras possibilidades de “shakes” em nosso corpo (mãos, braços, pescoço, dedos, etc:).
Agora, neste momento da aula, Rodrigo nos mostrou novamente o vídeo criado e reeditado por ele para usarmos no resultado final, todos acharam maravilhoso e dando seqüência, escrevi na lousa o que havíamos “determinado” no encontro anterior, ou seja, os passos que tínhamos pensado para compor nosso projeto de cena, daí veio a proposta de Cadú e Débora de apresentarmos o que estava pronto, mas de uma maneira diferente, foi traçado uma espécie de Y no chão, uma marcação com três espaços distintos onde possuíam o seguinte significado: Espera; Chegada e Encontro. E dentro desse espaço que iríamos apresentar o que foi composto por nós até o momento, com uma regra imposta (nenhum desses três espaços poderia fica vago em nenhum momento, teria que ter alguém ocupando sempre um dos espaços) e assim foi feito, durante longo tempo fomos improvisando, testando, brinca29 perceberam que o fim chegou.
Ao centro do círculo, professores-orientadores e alunos se reuniram para uma discussão desse trabalho de hoje, primeiramente Cadú e Débora expuseram o que viram aliando dicas valorosas e importantes e os alunos (atores e atrizes) intercalando com comentários sobre o feito. O que de mais importante foi tirado disso tudo e o que ficou nítido é que quando retornamos ao modelo “antigo” trabalhando a cena com estações a fluidez se deu muito melhor, também surgiram muitas coisas boas como (sensações, imagens, palavras, atrumo depois que continuei pesquisando nossa linha de início do trabalho que foi a música “Valsinha – Chico e Vinícius”, mas para fechar esse parênteses posso conferir que foi interessante essa sensação de recomumplicidade, de doação, de entrega e acima de tudo de AMOR.
Que relevem se por acaso esqueci algo, confesso que minha memória não é das melhores, mas o processo contínuo me faz ser um bom guardador de lembranças.

"Ah, memória, inimiga mortal do meu repouso!” (Miguel de Cervantes)

Bjão
Jó Bichara

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Análise estilística da canção Valsinha

Olá Galera;

Achei muito interessante uma análise sobre a VALSINHA de Chico Buarque e Vinícius de Moraes, essa música que foi a premissa do nosso processo pedagógico.
Abaixo publico para compartilharmos todos.

Bjão




::. Análise estilística da canção Valsinha Vinícius e Chico Buarque .::


Elaboração: Prof. José Atanásio da Rocha


VALSINHA
De: Vinícius – Chico Buarque

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado, cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se ousava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanto felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz


Memória discursiva.

Valsinha, uma canção de Chico Buarque de Holanda dedicada a um movimento social dos anos 70 denominado hippie, pregava a liberdade de ação do indivíduo. Essa prática levava as pessoas a agirem livremente e sem preconceito no período de repressão do Governo Militar. Normalmente, seus seguidores viviam em grupos, preconizavam o amor, aboliam a discriminação racial e faziam sexo livremente, isento de condenação. A alusão que Chico faz ao movimento é figurada na performance de um casal que, “um dia“, muda a sua conduta e toma outro rumo na vida. A homenagem a esse evento de vanguarda retrata metaforicamente o lirismo vivido por seus integrantes como artifício para fugir da censura política.

Estrutura do texto.

Valsinha é estilisticamente um poema. Além de sua estrutura poética, possui a narrativa, o que faz dela um mini conto, pois possui um só núcleo. Sua narração começa em um momento qualquer (um dia) e as ações são introduzidas seqüencialmente até chegar a um fim esperado. Por isso, a narração é heterodiegética, centrada no narrador. Com o foco narrativo na 3.ª pessoa, o narrador vê tudo à distância e conduz o fato sem interferir na história. Assim, o ele controla todo o saber, sem limitações de profundidade externa ou interna, em todos os lugares ou em todos os tempos. Em resumo, o texto é narrado por um narrador onisciente.

Marcadores da narrativa e da oralidade.

O texto apresenta conjunções como marcadores da oralidade, nas quais o narrador apóia-se para sustentar sua narrativa. Ex. e..., e..., pra..., depois..., então... Como marcadores da narrativa destacam-se o tempo (um dia, muito tempo), o espaço (num canto, praça, cidade, o mundo) e os verbos que cumprem sua função nas modalidades de pretérito perfeito e Imperfeito: “Chegou...”, “diferente...”, Olhou-a ...”, “costumava ...”, “maldisse...”.

Da instância lexical.

Palavras mais sedutoras: “quente..., bonita..., decotado..., ternura..., beijos loucos”.
Palavras mais próximas semanticamente: “A guardado... esperar; Há... muito tempo; ternura... graça; despertou... iluminou; gritos... ouvir; compreensão... paz; maldisse... falar; só... canto; bonita... ousar; tanto... tantos; dança... rodar.”
Palavras mais distantes semanticamente: chegou... foram; maldisse... paz; diferente... sempre; só... abraçar.
Por conta do entendimento semântico de Valsinha, que retrata uma ação diferente do passado e nos remete à idéia de aproximação, há poucas palavras que se contrapõem no sentido de distanciamento.

O eixo paradigmático da canção.

Do ponto de vista sintático, podemos destacar os sujeitos presentes na canção (SN – sintagma nominal) e seus respectivos predicados (SV – sintagma verbal). Na primeira fase da apresentação o SN é o pronome definido ELE. Na segunda, ELA. Finalmente OS DOIS. Há, também, outros SN que são introduzidos no enredo e fazem parte do contexto, sem importância central. São eles: Toda a Cidade...; A vizinhança...; Beijos loucos...; Gritos roucos...; O mundo...; O dia. Mas o eixo paradigmático da canção é marcado pelo SV, mais notadamente com a presença dos verbos terminados em AR, como por exemplo: “chegar...; Olhar...; Rodar; Ousar etc.

Metáforas

A canção é inteiramente metaforizada. Algumas metáforas mais expressivas podem ser destacadas facilmente na canção.
Metáfora Sentido semântico
Vestido decotado - Camisola.
Cheio de ternura - Cheio de desejos, volúpia.
Foram para a praça - Foram para a cama.
Só num canto - Abandonada.
Pra rodar - Fazer amor.
Cheirando a guardado - Engavetado.
Dançaram tanta dança - Fizeram muito sexo – Jogo do amor.
O mundo compreendeu - A felicidade é transparente.

Jogo das pressuposições.

Tomemos como exemplo o seguinte verso: “um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar”. Por esse verso pressupõe-se que antes do movimento hippie os sentimentos femininos em relação à liberdade sexual eram mais reprimidos. A manifestação de desejos e emoções em relação à vida sexual não se dava de maneira explícita. Com o seu surgimento, as relações humanas sofreram uma mudança brusca de comportamento, principalmente afetivo. A partir daí, os sentimentos e desejos são mais encorajados pelo prazer, sem censura, sem repressão ou sem estado de culpa. A liberdade nele presente permitiu transformar sentimentos que antes eram introspectivos e ocultos em demonstrações mais eróticas.

Conclusão do ponto de vista estilístico.

Valsinha é uma canção que pode ser considerada como um mini conto. Sua história ocorre no pretérito, em um momento qualquer, e chega a um tempo indeterminado com a exibição de uma sensível mudança de estado. Para consolidar as ações e estabelecer marcas que determinam seu intento, o eu-lírico narra na 3.ª pessoa, com verbos enfáticos que consagram um gesto pragmático no tempo. Para isso, esses sintagmas verbais se apresentam, quase que sempre, com as desinências temporais nos pretéritos perfeito e imperfeito. Assim, “um dia” ele “chegou”, “olhou” e convidou”. Chegou de maneira diferente do usual, mudando o estado em que se encontrava, pois “costumava” agir de uma maneira e passa por uma transformação, a ponto de externar seus sentimentos incutidos e sufocados em “gritos roucos”, como não se “ouviam” mais. Para provocar a idéia de valsar, o autor vale-se de repetições como “tanta dança”, “tanta felicidade”, “tantos beijos”, “tantos gritos”, criando uma mistura de significados que provocam um verdadeiro “rodopio” na percepção do leitor, até atingir seu intento. Outro importante detalhe a ser observado é que os versos começam organizados e longos e, à medida que o enredo vai tomando seu curso final, eles se encolhem e incorporam elementos que nos remetem à idéia de estreitamento e movimentos circulares, como se quisessem simular os movimentos de uma valsa. Seus recursos estilísticos são vastos. Do ponto de vista lexical, o autor usa palavras que se assemelham, cujos pares residem na mesma raiz, na tentativa de provocar o mesmo significado. Nesse sentido, podemos dizer que Valsinha é a mais pura poesia, pois as palavras vão e vêm provocando fortes sentimentos na sua interpretação. Morfologicamente, as raízes das palavras também se fazem presentes, mas com o uso de categorias diferentes dos verbetes. É o caso do verbo “dançar” e do substantivo “dança”. Na relação morfossintática, observamos que o grande paradigma fica por conta do sintagma verbal, que ricamente se alterna em diversas situações. Nesse sentido, o sintagma nominal ganha outras formas e age de maneiras diferentes, destacando-se em importância no enredo. Os verbos se apresentam com rigor e firmeza. Suas ações são decisivas. Às vezes eles mudam de estado, passando de pretérito perfeito para imperfeito, para provocar uma idéia de continuidade. É o caso de “costumava”. Não é só na rica estrutura estilística que o poema é admirado. Do ponto de vista semântico, Valsinha provoca uma grande surpresa. Com metáforas ricas e invariavelmente “in absentia” (ausente), como podemos observar em “seu vestido decotado”, o sentido figurado de suas metáforas consolida-se em uma metáfora maior que enaltece o movimento hippie da década de 70, em pleno regime de ditadura militar. Esse movimento social não se sujeitava às imposições retraídas da sociedade de então, permitindo a expressão de liberdade dos seus seguidores, os quais usualmente viviam em grupos, preconizavam o amor, aboliam a discriminação racial e faziam sexo livremente. Valsinha exalta a liberdade dos integrantes desse movimento e a ousadia das manifestações nas suas relações afetivas, até então reprimidas e sufocadas na sociedade. A grande surpresa da canção fica por conta de seu sentido metafórico. A idéia concebida de que se refere a um casal apaixonado, deixa de ser tão importante para valorizar-se em uma dimensão maior: a do engajamento social. Seu sentido é muito mais global e universal, pois faz alusão a um movimento de caráter revolucionário que ousou desafiar a sociedade tradicional da época e contestar os valores e os padrões de seus regimes dominantes.

domingo, 29 de agosto de 2010

Espetáculos dos Integrantes do CEPECA

O professor Edu está em curta-temporada com o espetáculo-fruto de sua pesquisa de mestrado!... “Outra Sina de Existir” - Um espetáculo paisagem. O que se revela é uma ação cênica que coloca em jogo as distintas possibilidades de relações humanas: Homens e mulheres. Abandono. Maridos e esposas. Nascimentos. Pais e filhos. Incestos. Irmãos. Abortos. Amores. Desamores. Encontros. Despedidas. Morte. Como um caleidoscópio, as imagens se formam e se transformam, abrindo espaços às possibilidades e projeções de desejos que podem, ou não, ser reais. Ingresso amigo R$10,00 (alunos e pessoas que informarem ter recebido email ou convite via facebook)! Ingresso normal: R$30,00 (meia R$15,00).

No espetáculo ¨Cândida¨, está o integrante do CEPECA, ator, diretor e mestrando em Artes Cênicas na USP, João Bourbonnais. Há ingressos gratuitos para grupos mediante uma carta da escola confirmando a ida!

sábado, 28 de agosto de 2010

¨Homem com o rosto retorcido¨ (Picasso)


Protocolo do dia 19/8: por Rodolfo Groppo


Aula 19/08. Pesquisadores: Renata Mazzei e Eduardo de Paula. (será um breve relatório, já que está fora do tempo).

Iniciamos nossa jornada com exercícios de respiração e alongamentos. Partimos para o exercício de movimentos que eram impulsionados por alguma extremidade do corpo, como braço, mão, ombro, joelho, pé. Esses movimentos eram para ser feito com um giro de 360º. Depois, com o mesmo princípio do impulso, ficamos mais livres para tentar outros movimentos, que não necessariamente envolvessem um giro de 360º.

Então, foi pedido que escolhessemos quatro posições que tivessem surgido da improvisação desses movimentos. Então elas deveriam ser repetidas e apresentadas aos outros.

Fomos então para um trabalho de improvisação de movimentos que tinham o princípio do impulso que levava o corpo (levava realmente, podendo chegar um impulso a te deslocar dois metros para alguma direção) e ainda trabalhamos com os opostos leve e forte.

O próximo passo foi o de juntarmos as quatro posições que surgiram antes com os opostos (leve e forte).

O último momento prático envolvia novamente improvisação dos atores, tendo como fundo musical a "Valsinha". A base dessas improvisações eram três palavras-estímulos: a espera, a chegada e o encontro. Um trabalho que rendeu frutos para mim!

Encerramos os trabalhos corporais e fomos para as trocas de palavras.

Sempre um trabalho baseado no corpo do ator, no caso do Edu "O Ator no Olho do Furacão" e da Renata "O Aikido", com possibilidades distintas e livres.

Para a apresentação final, o Edu sugeriu performances individuais e solos de todos atores, espalhados pela escola, basicamente com o tema "Espera". O próximo momento sugerido por ele seria a "Chegada" de todos a um lugar comum, em que cada ator se deparasse com os adereços dos outros e ouvesse uma união com o tema final, o "Encontro", e uma celebração desse encontro.

Uma aula muito produtiva e cansativa. Cansei o corpo e liberei a mente para criar. Foi realmente muito bom!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Protocolo da Aula do dia 26/08/2010 e Acertos Finais

PROTOCOLO DA AULA


Dia: 26/08/2010

Coordenadora: Evinha

Escrito por: Jó Bichara


Começamos nossa aula com todos ao centro da sala, sentados em círculo, onde foi proposto pela EVINHA um bate papo para "alinharmos" tudo o que havíamos construído até o momento e também para "acertarmos" todos os detalhes para a apresentação do resultado final, pois como disse Evinha, esse trabalho é pra nós e por nós.
Transcorrerei aqui de maneira prática e clara tudo o que foi decidido:

1) Ficou acertado quanto ao local de apresentação do nosso trabalho final, será no ANFITEATRO da SP Escola de Teatro, todos concordaram em ser lá. Levantamos vários tipos de se aproveitar a arquitetura para a apresentação, de início iríamos utilizar os três andares do prédio e finalizar no pátio central, depois iríamos utilizar apenas o andar do meio com a sala e finalizar no pátio central e por fim chegamos a conclusão de que basta apenas o Anfiteatro para nos apresentarmos.

2) Dia e horário da apresentação = Dia 30 de Setembro de 2010 as 20:00 hrs. Evinha levantou a questão de se apresentar no horário normal do curso ou prorrogar para mais tarde devido a locomoção de convidados e parceiros e todos optaram por apresentar mais tarde, assim teremos mais tempo no dia para alinharmos detalhes finais e quem quizer prestigiar terá um horário para se locomover até a SP Escola de Teatro.

3) Evinha também colocou a possibilidade de se fazer uma noite de autógrafos com o Profº Armando Sérgio e todos do CEPECA, idéia essa levantada pelo próprio Armando. Todos acharam ótima a idéia e sobre desviar a atenção, ou seja, ao invés de dar atenção ao resultado do trabalho dos alunos, toda a atenção vai para o livro do CEPECA, cremos que tudo isso se deve ao CEPECA, somos apenas uma referência de trabalhos desenvolvidos por profissionais pesquisadores do CEPECA, portanto, achamos de grande valia abrir a noite para uma "sessão de autógrafos".

4) Todos (atores e atrizes) deverão chegar as 18:00 no dia 30, foi o que deixamos claro. Assim das 18:00 até as 20:00 (horário da apresentação) nos preparamos, a apresentação terá algo em torno de meia hora no máximo e logo depois faremos um bate papo entre os alunos e pesquisadores-coordenadores do CEPECA que nos ensinaram, motivaram e engrandeceram nossa relevância no meio das artes cênicas. Pra mim pessoalmente continuarão ensinando, motivando e engrandecendo, pois esse estudo e esse tempo que passamos juntos levarei pro resto da minha VIDA. Assim sendo das 20:00 até as 20:30 será a apresentação, das 20:30 em diante teremos um debate; bate papo sobre a construção e projeção desse trabalho e depois os autógrafos. Temos até as 22:00 para ficar na SP Escola de Teatro, tempo suficiente para realizar tudo isso.

5) Evinha como já havia dado aula nesse prédio antigamente, lembrou-se de uma sala repleta de figurinos e nos levou até lá, e em conversa com a responsável, fomos autorizados a usar a roupa que quiséssemos, mediante aviso prévio. Tivemos idéia de muita coisa que podemos usar e agora também sabemos que temos um repleto acervo de figurinos a disposição.

Com esses detalhes conferidos e acordados, voltamos para sala de aula onde assistimos ao vídeo criado pelo Rodrigo, vídeo esse que vem de encontro a nossa construção, contendo nossos anteparos de Imagem e Som, todos gostaram muito do vídeo, apenas concordamos que ficou um pouco extenso (10 minutos) e pedimos para o Rodrigo encurtar tal material e deixar com uns 2 minutos para não ficar cansativo. Continuamos a explorar de maneira argumentada, ou seja, onde continuamos a conversar sobre a apresentação final ou apresentação do resultado e a cena ficou disposta assim (conforme acordo de todos):

- Apresentação no Teatro da SP Escola de Teatro; entrando um por vez com o apoio da iluminação (foco) ou todos já em cena aguardando a entrada do público (isso será testado nas próximas aulas, são essas duas opções de início da cena); após a cena de cada um (no início será algo individual, cada um com + ou - cinco minutos para fazer sua cena e ou performance) e quando um ator estiver apresentando, a luz estará caída sobre ele e os demais estarão sem iluminação e em estado normal (considerando + ou - cinco minutos cada um teremos nesse início um tempo de 20 minutos contando com quatro atores/atrizes, que foi o número de pessoas presentes nesse último encontro, sendo que a Evie faltou); após a cena de cada um a intenção é todos se encontrarem no centro e tal encontro se dará através de um trabalho individual de cada um com seu (s) "Anteparo (s)" e os "Anteparos" dos outros; nesse encontro ao centro entra o vídeo (projeção) e finalizamos com essa projeção transcorrendo junto com nossas sombras.

Bom, creio que deu pra expressar nossa arquitetura desse projeto final, agora é dar mais VIDA a essa construção e descobrir mais maneiras de incorporar a criação, temos mais três aulas para incorporar maiores detalhes e uma última aula somente para ensaiar, pois isso é de extrema importância.

Assim foi mais um dia de aula, todos sairam com a mente cheia de idéias, com muitas lacunas preenchidas e com a convicção de que só depende da gente para alcançarmos o melhor resultado possível.

OBS: Faltas não podem mais ser admitidas, portanto tenham ciência de que quando um falta, prejudica toda a turma.

OBS 2: Se esqueci de algo, complementem. E lembrando que na próxima Quinta-Feira esclareceremos melhor todos pessoalmente olhando uns nos olhos dos outros, porque é assim que deve ser. Ia me esquecendo, se realmente fizermos a apresentação no ANFITEATRO, temos que agendá-lo com antecedência junto ao Juliano.


Bjão

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Aula do dia 12/8 por Evie

Aula dia 12/08/2010

Cadu e Kamla

Primeiro praticamos a respiração com sons, alongando na inspiração, afrouxando na expiração e movimentando as articulações. Bocejando e respirando, emitindo sons de acordo com a movimentação. Depois saltamos. Olhamos para um ponto, nos preparamos para saltar, saltamos com toda a explosão possível e ficamos em suspensão. Nos desequilibramos através dos diversos apoios dos pés: pontas, calcanhares e laterais, a força sempre vinda do chão. Saltos menores, na tentativa de fazer acentos e pausas.

Retomamos o ciclo de instalações com os anteparos. Depois ficamos com os olhos fechados, encontramos uma dupla, a qual massageamos suas costas, e ela respirava com mais ou menos intensidade de acordo com a massagem, nos separamos e nos encontramos de acordo com o sons da respiração, trocamos de lugar e depois de frente um para o outro, tocamos o rosto e nos atentamos aos seus côncavos e convexos.

Agora de olhos abertos cada um recebeu uma máscara, em círculo nos observamos e observamos como cada nos olhava. Trocamos de acordo com essa percepção. Tiramos as máscara e continuamos trocando. De novo com as máscaras recebemos outros adereços. Espelhos foram distribuídos para nos observarmos com eles. e Voltamos a trocar, depois tiramos as máscaras e acrescentamos falas.

Retomamos o ciclo de instalações com os anteparos novamente, e incorporamos gestual e /ou falas do exercício das máscaras, acentos e pausa, suspensões e respirações.

Anteparos Evie






sexta-feira, 6 de agosto de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Relatório de aula 10/06
Professor Edu

A aula deu inicio com alongamentos individuais, logo após começamos com meditações ativa, a primeira meditação foi como se estivéssemos numa caixa de areia marcando ela com os pés, primeiro o pé direito para frente depois o esquerdo, depois marcar para o lado direito e lado esquerdo, e depois para trás na mesma seqüencia, as mãos na altura pubiana e elevando como uma seta na mesma indicação dos pés e a outra fica na altura do peito. Partimos para outra meditação na qual os braços ficam esticados para os lados, palma da mão direita para cima e a esquerda para baixo, começando com giro lento no sentido anti-horário e acelerando, deixando o corpo brincante, durante 10 minutos, após os 10 minutos paramos em pé, abraçando seu próprio corpo de olhos fechados.
Essas duas meditações m deixaram com a sensação de corpo e mente limpas, livres de vícios, e pronto para novas composições.
Depois sentamos com os pés juntos, primeiro fizemos um movimento circular como se a nossa coluna fosse o inicio de um ciclone, usando o apoio das mãos indo e voltando, em 8,6,4 e 2 tempos, em seguida fizemos os mesmos movimentos, só que com as mãos riscando um circulo, e depois os mesmos movimentos segurando os dedões dos pés. Esse exercício nos provocou a se movimentar pelo espaço utilizando dos próprios movimentos executados e explorando o corpo a novas experiências e sem que o corpo relaxe dessa experiência selecionamos 3 imagens.
Esse próximo exercício nós provocávamos o corpo ao desequilíbrio, e também selecionar 3 imagens destes pontos de desequilíbrio.
Em seguida começamos a trabalhar ritmos e tempos diferentes, onde o corpo passava por 5 estágios, sendo eles; Aragem, Brisa, Vento, Ventania e Tempestade, onde o primeiro começa com movimento quase imperceptível, e vai numa crescente até chegar à tormenta na tempestade, na velocidade máxima do corpo.
Embasados nesses exercícios, e com as imagens compostas, começamos a construir e experimentar partituras cênicas. Finalizamos com essa experimentação de cena, onde ouve a tentativa de converge as técnicas para essa única cena.
Todos os exercícios e meditações facilitaram e me impulsionaram para uma criação autentica, me provocando e me estimulando para novas descobertas.







Rodrigo Oliveira

domingo, 25 de julho de 2010

IMAGENS TRABALHADAS COMO ANTEPARO - JÓ BICHARA

















quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nosso cronograma para agosto e setembro

AGOSTO:
5/8 - REJANE E EVINHA
12/8 - CADÚ E RENATA KAMLA
19/8 - EDU E RENATA MAZZEI
26/8 - EVINHA

SETEMBRO:
2/9 - CADÚ E DÉBORA
9/9/ - CADÚ E RENTA KAMLA
16/9 - EDU
23/9 - REJANE E RENATA MAZZEI (ENSAIO GERAL)
23/09 as 16hs - TODOS (APRESENTAÇÃO)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

PROTOCOLO DA AULA DO DIA 24 DE JUNHO DE 2010 - Jó Bichara

PROTOCOLO DA AULA DO DIA 24 DE JUNHO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Coordenadores / Professores: Rejane e Cadú

Escrito por: Jó Bichara


“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal”
(Friedrich Nietzsche). E seguindo as palavras de Nietzsche podemos comprovar que o AMOR é fundamental para o sucesso. Na aula de hoje fomos coordenados pelo Cadú (O Ator Musical: a musicalidade como eixo central na composição cênica) e pela Rejane (O jogo dos Anteparos: uma intersecção metodológica). Nossa aula de hoje foi a última do semestre, pois agora teremos umas “férias” para podermos gozar e ou trabalhar ainda mais. Mas aproveitando a “deixa”, discutimos a possibilidade de nos reunirmos pelo menos numa aula durante esse período de “férias” para trabalharmos tudo o que já criamos e com isso não deixar-mos que abrande todo esse nosso processo. Estamos no aguardo do pronunciamento de alguns dos Coordenadores-Professores. Tomara que consigamos nos encontrar nessas férias, seria de grande valia.
Bom, começamos então nossa aula de hoje, Cadú, nos sugeriu um “aquecimento” trabalhando o corpo e o equilíbrio como ferramenta, movimentos amplos, exagerados e tensos, ao decorrer acrescentamos sons aos movimentos e todos foram se deslocando pela sala, tudo me remeteu a Biomecânica de Meyerhold onde observei ali que cada um deve possuir a posição convincente de um homem em equilíbrio, cada um deve ter uma reserva de atitudes, de poses e de diferentes recursos que permitam-lhe manter o equilíbrio. Cada um deve buscar por si mesmo o equilíbrio necessário ao momento dado. Aliado a tudo isso, Rejane desde o início deixou o projetor ligado e com isso imagens eram projetadas na parede para ampliar nossa criação e trabalho, o estímulo sonoro vinha das caixas acústicas.
Passado certo período trabalhando com o corpo e o equilíbrio, Rejane então tomou a vez e nos coordenou a separarmos cinco “posições” ou “momentos” dentro desse processo e deixarmos essas cinco posições ou cinco movimentos ou cinco momentos, o que cada um achar melhor, continuados, ou seja, num processo contínuo. Com isso, individualmente, fomos para o centro e “mostramos” esses cinco movimentos, uns deixaram bem detalhados e separados, outros trabalharam com o improviso. E junto aos movimentos que cada um executava individualmente, os demais como que ordenando, solicitavam um estado de emoção e um estado físico, como: (Físico – Grande, Pequeno, Áspero, Liso, Bolo de Chocolate, Torta de Morango, Chiclete, etc: / Emocional – Triste, Alegre, Raiva, Fúria, Tesão, etc:), essa foi a primeira etapa da aula de hoje.
Para a segunda parte, Cadú e Rejane solicitaram que nos reuníssemos e demonstrássemos a cena que havia tomado um corpo a mais na aula passada, alguns personagens já estavam mais consolidados, algumas ações já estavam mais compostas. Hoje tivemos uma proposta diferente também, trocamos experiências com a outra turma “B”, ou seja, nos foi preparado e solicitado apresentar para a outra turma e a outra turma se apresentar para nós, isso serve para analisarmos como está o processo de ambas as turmas para que mais adiante consigamos transformar e incorporar tudo num só. Num período curto de uns dez minutos a classe se reuniu e aos que faltaram na aula passada foi dito tudo que havia sido composto até o momento e de acordo entre todos, demos seqüência a cena que cada aula que passa vai tomando mais corpo e vai se modelando mais e mais... P.s: Sempre lembrando que nosso “START” é a música: VALSINHA de Chico Buarque.
Pois bem, dentro desse tempo conseguimos nos compor e ensaiar a cena, Cadú e Rejane puderam acompanhar todo esse processo e depois de tal ensaio, tivemos um bate papo de observações bem rapidinho, Cadú e Rejane ficaram surpresos com o que já havíamos composto até o presente momento e as observações foram super POSITIVAS o que nos motivou muito mais. Voltamos ao ponto de concentração, estávamos a poucos minutos de apresentar para a outra turma e assim foi feito, a outra turma adentrou a sala e nós já estávamos prontos para a representação, fizemos como devia ser feito e então vieram os aplausos no final. Dando seqüência, nos sentamos e acompanhamos a outra turma na apresentação deles que também foi bonita de se ver, inclusive de se comparar.
Ao final tivemos mais uma surpresa, a coordenadora-professora da outra turma sugeriu então que aliássemos ambas as cenas, sem uma concepção pré determinada, apenas agiríamos como havíamos composto anteriormente e com isso nos relacionaríamos com os novos personagens aparecidos. Assim foi feito, ambas as turmas estavam em cena, todos entregues, emoções significadas, ações criadas e tudo aliado ao som da Valsinha que nos transportava e nos guiava, nosso material estava técnicamente estruturado, preparado por um treinamento sólido, então demos livre curso à excitabilidade. O resultado de tudo isso foi LINDO, surgiram muitas imagens perfeitas, muitas compatibilidades, muitas fotografias e muita afinidade entre todos.
Todos sentados novamente, coordenadores e alunos iniciaram uma roda de observações e sensações, todos se manifestaram e teceram seus pontos de vista e num resumo geral poderia definir mais essa aula de hoje como: BÉLA, PRAZEROSA, CRIATIVA, EFICIENTE, dentre tantas outras características POSITIVAS que foram citadas.
E como citei no início, comprovo que o AMOR pela arte, pelo teatro e pelas pessoas, foi o ponto crucial para mais um enorme aprendizado.

Observações a serem feitas da aula de hoje: Foi legal ver todos com seus respectivos FIGURINOS e ADEREÇOS (ANTEPAROS); foi bacana também poder incorporar tudo que vem sendo estudado ao decorrer das aulas (deu pra lincar muita coisa de todos os coordenadores: Edu, Cadú, Laura e Rejane) do furacão à mímica, musicalidade ao anteparo. Disposição do público, todos participando de certa maneira da cena entre os atores/atrizes.

Protocolo do dia 17/06 - Camila Nobre‏

PROTOCOLO DA AULA DO DIA 17/06/10
Professora Laura Lucci

A primeira parte da aula foi direcionada a recapitulação dos aspectos da mímica trabalhados na aula anterior. (Ver protocolo do dia 20/05/10)
Concluímos esta etapa, explorando possibilidades de elaboração de partituras de movimento a partir da meditação e de todos as qualidades de movimento trabalhadas anteriormente.

Tivemos também a visita da Roberta Carbone, que participou do projeto de pesquisa da Laura sobre o Decroux. Ela irá acompanhar as aulas da Laura e compartilhar conosco sua experiência de criação cênica a partir da mímica.

Em um segundo momento, foi proposto que fizéssemos exercícios em dupla. De olhos fechados, uma pessoa ouvia a música e dizia que imagens lhe vinham à cabeça. A outra pessoa, anotou tudo que o outro disse. Quando a música terminou, trocamos de lugar.
Após a realização do exercício, tivemos um tempo para discutir sobre o que surgiu a partir dessa proposta. Após realizar a discussão em dupla, estendemos os comentários ao grupo.

Foi interessante perceber que mesmo com imagens um pouco diferentes, chegamos a lugares semelhantes. A dupla de Jó e Noélia identificou que a música levava os “personagens” a um lugar de frustração e descrença da possibilidade de realização daquele encontro, os levando a uma realidade triste e possivelmente decadente. Camila e Rodrigo chegaram a conclusão de que havia na cena uma não concretização do fato, um desencontro, porém a expectativa e espera por ele. Identificamos duas etapas dessa irrealização. A primeira, mais otimista, quando ainda considera a possibilidade de um encontro, que coloca os personagens em uma situação anterior a frustração. Por outro lado, temos a situação posterior, onde os personagens já se desencontraram e sofrem pelo não realizado, desacreditados na possibilidade de um possível reencontro.

Após uma conversa sobre as nossas idéias, foi proposto que realizássemos uma cena, para entrar em contato com uma possível partitura.
Exploramos a idéia de construir uma RODA e realizar as partituras simultaneamente. Trabalhamos também com a idéia de CONTRUÇÃO e RECONSTRUÇÃO e com personagens que poderiam ser REFLEXOS da mesma pessoa.

Descrição da cena: Distribuídos na sala formando um quadrado (meio círculo, rs), identificamos nossos espaços com objetos que já tinham sido utilizados nas aulas anteriores. Rodrigo utilizou uma garrafa de bebida, Noélia um sapato, Jó uma carta e Camila usou utensílios de maquiagem.
Ao som da música Valsinha, cada personagem em seu núcleo, iniciou sua partitura de ação. Aos poucos, eles se deslocavam para o lugar do outro. Os objetos ficavam, e o objetivo era explorar o universo da outra pessoa, seus objetos, no caso. A cena teve fim quando todos voltaram para os seus respectivos lugares.
Detalhe importante: o público da ação, pôde optar em ficar parado ou se deslocando durante o processo. Ele também se sentiu livre a interagir com os personagens.

Comentários sobre a construção cênica: No final da aula, sentamos e ouvimos algumas sugestões e questionamentos da Laura, sobre a atividade.
Questões: Onde fica o público mesmo? Tornar consciente e clara a localização.
Qual é a relação que podemos estabelecer com o público que anda?
O que se pode fazer pra dar continuidade ao trabalho? Elaboração de uma dramaturgia?
Sugestões: Trabalhar com a possibilidade de criar um universo em cada lugar.
Os encontros e desencontros podem gerar possíveis diálogos/troca entre os personagens.
Explorar os espaços da escola para a realização do exercício. Como por exemplo, realizar a cena no pátio e propor que o público a veja de cima, dos corredores.

Princípios da mímica e a relação com a cena: Onde colocar?
Pensar que tudo o que já foi trabalhado pode ser inserido na partitura, principalmente se soubermos qual é a partitura.
Explorar: oposição, amplitude, transferência, segmentação.


IMPORTANTE: FOI COMBINADO QUE A PARTIR DA PRÓXIMA AULA, LEVARÍAMOS SEMPRE OS OBJETOS E FIGURINOS ESCOLHIDOS PARA A ELABORAÇÃO DA CENA.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ATA AULA DIA 20 DE MAIO DE 2010
PROFESSORA: Laura Lucce

PRESENTES NA AULA:
Gilberto Freitas
Evie Milani
Camila C. Nobre
Ana Frazão
Joana
Rodrigo Oliveira
Paulo
Daniel
Rossana de Marchi

ESCRITO POR:
Rossana de Marchi

Na aula foram passados os princípios da Mímica Corporal Dramática. São Eles: Tônus(La pin), Transferência de peso ( 4 alavancas), os tipos de andares, segmentação(rotação, inclinação, translação), as partes ativas do corpo(cabeça, busto, quadril, perna e peso), o uso das 3 dimensões,, oposição( amplitude do movimento), dinâmica rítmica (toque global, toque ressonância, vibração, antena de escargot e pontuação). Tudo isso por meio de exercícios práticos, iniciados por um aquecimento de Lecoq.(posições e respiração)
Fizemos também uma meditação que era composta dos seguintes movimentos(idéias): ver a idéia, colocar na mesa, ficar em dúvida, ver outra idéia, duvida de qual é a melhor, juntar as duas e tomar atitude. Ao som da Valsinha executamos essa meditação, primeiro isolados, depois interagindo com os outros e por fim divididos em dois grupos construímos uma cena em cima do que foi passado em aula.
No final da aula discutimos sobre sensações que tivemos e os assuntos abordados foram: a beleza da mímica no entendimento do mundo físico, de expressar sensações e sonhos escondidos através do corpo. Para Etienne Decroux a mímica era baseada em ética, poética, estética e pedagogia. O importante era trazer através de movimentos simples e do cotidiano os sentimentos dentro do ator, e não só a ação pela ação. O simples pode virar uma ação, existe a possibilidade de corte, de rasgar o tempo. Como exemplo Laura contou para a gente sobre uma cena onde uma mulher estava costurando e de repente essa costura era da vida dela.. saiu do simples ato de costurar um tecido e virou uma costura dos sonhos dela.
A mímica não precisa ter uma linearidade, tem a beleza de outro tempo, espaço e trabalha muito com a liberdade poética. É o corpo falando sem ser narrativo, falando o que importa ( o que não quer dizer que não possa ter falas na mímica)

Como bibliografia Laura falou do livro Canoa de Papel de Eugenio Barba, citou também o filme Boulevard do Crime onde Decroux atua como ator e cuidou da parte corporal. O Grupo Dos a deux também foi citado por fazer um trabalho interessante em relação á Mímica Corporal Dramática e também foi falado de George Mascarenhas e Vitor Seixas que fazem esse trabalho no Brasil.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Galera, segue:


PROTOCOLO DA AULA DO DIA 27 DE MAIO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Escrito por: Jó Bichara


Uma aula com muitos “faltantes”, entre os presentes estávamos em cinco pessoas, mas posso dizer que a energia foi tão boa, o comprometimento de todos foi intenso que a aula correu maravilhosamente bem.
Trabalhamos com a “mestra” Rejane Arruda “O Jogo dos Anteparos: uma intersecção metodológica”; no início abordamos um bate-papo a respeito das propostas desenvolvidas e como na música do Teatro Mágico: “Tem horas que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só”?!; começamos a perguntar e responder o que nos refletia por dentro e num jogo de entendimento junto a Rejane muitos conceitos, técnicas, tendências e probabilidades foram esclarecidas, posso destacar assuntos como: Temática desse curso (que por sinal é curto, temos que aproveitar ao máximo); Anteparos; Ligação das pesquisas propostas pelos coordenadores; Calendário, dentre muitas outras coisas, foi um momento muito BOM e GOSTOSO onde numa roda pudemos conversar e trazer a tona tudo que se faz pertinente nesse curso. Após esses esclarecimentos, discutimos um pouco sobre a “VALSINHA”, colocamos nossos olhares a respeito dessa música (afinal, ela nos guiará nessa jornada) e EU disse que a música havia uma história (todos podem observar no e-mail anterior que enviei ao “grupo” onde anexei a conversa do Chico Buarque com Vinícius de Moraes a respeito da música Valsinha e também postei no Blog do grupo) foi a partir de então que demos o START para nosso trabalho.
Todos passaram a ter em mente uma criação de personagem remetida a VALSINHA e jogando com ANTEPAROS, para tal criação foi usado experimentos das aulas passadas (Laura Lucci, Cadú e Eduardo de Paula), surgiram daí uma “Mulher Bêbada”; um “Marido Arrasado”; uma “Mulher à Espera”; um “Senhor de Idade” e um “Homem Boêmio” todos constituídos a partir de exercícios anteriores e paltados em anteparos, tais como: carta; chapéu, sapato, dominó, guarda chuva, cigarro, bacia, palavras, imagens, etc:. Com essas idéias em mente, partimos para a constituição, foi nos dado um tempo mínimo e através desse tempo, montamos cenas para apresentar. Joaquim Antônio disse uma vez que “No Teatro o homem encontrou um meio não de ser outro, mas de poder realmente ser ele mesmo”. Assim sendo, procurei trazer a verdade dentro de mim, me senti como a mim mesmo encenando um pequeno momento de vida.
Foi assim que todos fizemos, cada um retratando de uma maneira diferente seus personagens, suas idéias e seus anteparos, mas que se paramos pra olhar melhor, tudo se une, tudo vem de encontro a uma mesma história, quando todos já se apresentaram, sentamos com a Rejane e mais uma vez colocamos na pauta tal experimento e confesso que um turbilhão de idéias positivas se fundiram, conseguimos enxergar muitas ligações entre pessoas e personagens, saímos mais uma vez estusiasmados e com a certeza de que demos mais um passo no nosso “arquivo” profissional.
Assim finalizamos mais um encontro, mais uma aula, mais uma confraternização, tenho certeza que estamos nos alimentando desse alimento sadio que é o TEATRO, e que tenhamos uma excelente digestão.
Olá, estou postando aqui o PROTOCOLO da aula do dia 13/Mai/2010

Bjão




PROTOCOLO DA AULA DO DIA 13 DE MAIO DE 2010


TÉCNICAS CONVERGENTES PARA CRIAÇÃO CÊNICA DO ATOR – SP ESCOLA DE TEATRO CEPECA


Escrito por: Jó Bichara


Como já dizia Henrik Ibsen: “A beleza é o acordo entre o conteúdo e a forma”. E assim começamos mais uma “aula – encontro” sob coordenação de Carlos Eduardo Witter “O Ator Musical”. A aula se pautou sobre a biomecânica de Meyerhold como um condicionamento libertador, criando as margens de criação do ator. Todos (alunos) trabalharam com suas - juntas do corpo – ou seja, um exercício com as partes flexíveis de nosso corpo, começando pelos pés e suas probabilidades de movimentos, logo após se estendendo pelos joelhos, braços, quadris, pescoço e por todo corpo. Ao estabelecermos uma síntese e esquematização dessas ações, todos nos deslocamos pelo espaço, aonde interagimos com os demais e conosco mesmo. Logo após, Cadu (olha EU íntimo já... rsrsrsrs) nos mostrou algumas concordâncias rítmicas a qual seguimos a risca sua execução (andar normal em diagonal pela sala, andar lateralmente, andar com dois pulinhos intercalados, andar com os apoios no chão e com os pés soltos, andar com os apoios no chão e jogando os braços, etc), feito isso nos foi proposto um exercício que parte de técnicas de “contemplação ao sol”, por exemplo, como também técnicas de yoga para uma concentração de aquecimento, com as mãos unidas e o dedo indicador exposto, pés bem fixos no chão, perna aberta na largura do quadril, elevamos os braços ao alto na inspiração, descemos nossos braços, flexionamos nossos joelhos e abraçamos por detrás de nossas pernas na expiração. Feito isso, orientados pelo Cadu, começamos a buscar um treinamento separado da encenação, voltando-nos para o domínio do nosso corpo e controle da expressão, começamos primeiramente com a voz, entonações graves, agudas, longas, curtas, fortes, fracas, um experimento e conhecimento para com nossa própria ferramenta vocal. Em seguida, recebemos a letra da música “Valsinha – Chico Buarque”, fizemos uma leitura e sem ordem posta, começamos a ler cada qual um verso (frase) até que todos lessem, após, cada um escolheu um verso e ou frase para si e assim trabalhamos em cima dessa escolha. Começamos a testar entonações e musicalidades para com essas “poucas” palavras escolhidas; essa “pequena” frase: grave, agudo, curto, longo, forte, fraco, espiral, insetos, chuva, medo, etc:, claro que tudo isso aliado ao corpo, também houve interações pessoais entre os aprendizes, isso muito enriqueceu a experimentação, os exercícios biomecânicos nos prepara para fixar nossos gestos em posições-poses que concentram ao máximo o movimento nos três estágios do ciclo do jogo (intenção, realização, reação), passado muito tempo, fomos esclarecidos de que agora era preciso estabelecer uma diferenciação de palavra por palavra, ou seja, essa frase teria que ser dita diferentemente (tom, expressão e corpo) palavra por palavra e assim foi feito um a um. Dica: Não esqueçam de ter consigo sempre um “squeeze” com água. Voltamos a trabalhar nossas ações físicas, nossos corpos tomavam formas e se deslocavam ao estímulo sonoro, improvisamos e tivemos uma grande liberdade sem limites, tudo vem de encontro à proposta de Meyerhold onde a materialidade da cena é espetáculo. Nossas ações foram trabalhadas tanto em plano totalmente aberto como em plano reduzido, sempre impulsionados a ocupar os espaços vazios. Com essa experiência, nos foi proposto repetir a frase que cada um havia escolhido, aleatoriamente, olhando para uma pessoa, isso nos proporcionou estados físicos, mentais e emocionais variados. Por fim, impulsionados pelo Cadu, aprendemos a ouvir com nosso “ouvido interior”, muitas vezes estamos abertos para estímulos tais como sons e imagens meramente superficiais, estamos acostumados a ver e ouvir muito “lixo” que está em nosso entorno e deixamos de nos orientar e sensibilizar com estímulos mais profundos e longínquos, para tanto nos colocamos em silêncio e procuramos ouvir primeiramente nosso interior e depois nosso exterior. Com tudo, pudemos agregar em nossos estudos a consciência de coordenação no espaço e sobre a área de representação, a capacidade de encontrar-se a si mesmo em um fluxo de massa, a faculdade de adaptação, de cálculo e de justeza do golpe de vista. Vimos que o gesto é resultado do trabalho de todo o corpo. Assim como a música é sempre uma sucessão precisa de medidas que não rompem o conjunto musical, também nossos exercícios são uma seqüência de deslocamentos. Temos na cabeça não um personagem, mas uma reserva de materiais técnicos. O ator está sempre na posição de um homem que organiza seu material. Tudo isso vem de encontro à nossa primeira aula, trabalhamos e pesquisamos nosso corpo, nossa mente, botamos ação nessas pesquisas, afloramos nossos sentimentos aliado a nossa sensibilidade e colhemos os resultados propostos.
“Sem paixão não da nem pra chupar um picolé” dizia Nelson Rodrigues, tudo isso é fruto de muita paixão pela arte, pelo Teatro e que a PAIXÃO seja uma eterna.

P.s: Se me esqueci de algo, perdoe-me e acrescentem.

domingo, 30 de maio de 2010

Conhecendo mais sobre a "VALSINHA"














Olá, Galera Técnicas Convergentes - SP Escola de Teatro / CEPECA:
Achei interessante postar aqui no BLOG uma abrangência sobre a música VALSINHA, como nosso trabalho é pautado em cima de tal música, espero que nos ajude a aprofundar-nos ainda mais em nossas pesquisas.
Bjão Jó

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Frases e objetos na primeira aula

FRASES:
Ele chegou

Um dia
Meu olhou
A vida
Um jeito muito quente
Sempre
Um jeito de falar
Amanheceu
Paz

OBJETOS:
Chapéu
Chale
Sapato
Guarda-chuva

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Lançamento do livro adiado

O lançamento do livro dos pesquisadores do CEPECA foi adiado para data futura. Logo logo teremos nova data.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Lançamento do livro dos Pesquisadores do CEPECA

No dia 13 de maio, às 18h30, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes, lança o livro CEPECA – Uma Oficina de Pesquisatores, resultado do trabalho do Centro de Pesquisas em Experimentação Cênica do Ator da USP organizado pelo Prof. Dr. Armando Sérgio da Silva, especialista em teatro.

Os integrantes do CEPECA são de diferentes níveis acadêmicos e que compartilham, de igual para igual, os caminhos da atuação cênica, trocando experiências. É um nicho para o aperfeiçoamento de técnicas, rico em soluções para a cena e o que surge de cada processo criativo.

O ponto de partida para as pesquisas do grupo da USP são contemporaneidades do ofício de ator. A intenção é a formação do artista; seu autoconhecimento e da indagação profunda de suas motivações para a escolha de uma técnica específica.

As características do grupo são:

Liberdade total para cada componente escolher e realizar sua pesquisa;
A pesquisa não se esgota no conteúdo técnico, exige-se sempre um ato criativo que pressupõe uma dramaturgia (ou dramatologia) do ator;
Ausência de direção externa. Apenas orientação do professor coordenador e análises do grupo;
Apresentação pública dos resultados;
Contextualização do trabalho prático em artigos e teses acadêmicas;
Discussão constante sobre resultados parciais com a presença da totalidade dos membros do centro;
Compromisso com temas de relevância social e política; e
Sucesso entendido como seriedade e dignidade da pesquisa.

No livro o leitor encontra artigos que versam sobre técnicas de preparação de atores e de criação de espetáculos.

ARMANDO SÉRGIO DA SILVA possui graduação em Artes Cênicas (1970), mestrado em Artes (1980), doutorado em Artes (1987) e livre docência em Interpretação Teatral – FAPESP - (1999), sempre pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor titular da USP.
Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Teatro, atuando principalmente nos seguintes temas: teatro, educação, direção, dramatologia, estética, crítica, ensino em interpretação teatral, para o qual possui metodologia própria. Orienta Teses de Doutorado e Dissertações de Mestrado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Possui três livros publicados assim como outros três livros resultantes de suas orientações. É diretor teatral e possui algumas peças escritas. Atualmente lidera um Grupo de Pesquisa no Departamento de Artes Cênicas da ECA - USP, denominado - (CEPECA), formado por alunos da graduação, mestrado e doutorado.

Além do lançamento do livro, Armando está ministrando o curso “Técnicas Convergentes de Criação Cênica para o Ator” na SP Escola de teatro.
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Serviço:
SP ESCOLA DE TEATRO LANÇA LIVRO DOS PESQUISADORES DO CEPECA – CENTRO DE PESQUISAS EM EXPERIMENTAÇÃO CÊNICA DO AUTOR DA USP
Dia: 13 de maio, às 18h30
AV. Rangel Pestana, 2401 – Brás, São Paulo – SP
Telefone para informações: 11 2292-7988
Assessoria de Imprensa: Paula Kasparian –
paulakasparian@spescoladeteatro.org.br
Telefone: 11 2292-7988 r 115